Quem muda do Brasil para o exterior sabe do que estou falando..nao digo que a qualidade de vida caia porque nao é verdade, mas muitas mordomias brasileiras nao sao comuns de se encontrar por aqui.
Por exemplo, eu cresci tendo empregada doméstica. E como nao poderia ser diferente a minha se chamava Maria. Meu Deus, que pessoa boa! Ficou mais de 30 anos na casa de meus pais! Era a "faz tudo" e sem tempo feio! Sempre com alegria, dando ordem se precisasse, rodando a tamanca se eu e meus irmaos começassemos a apavorar a casa, dona de uma cozinha deliciosa, aquela bem bàsica mas com jeitinho de aconchego, feijao, arroz, carne...simples e caseira. Barulho era o que nao faltava! Acordar e deixar ela fazer minha cama era algo natural.Eu adorava quando chegava da rua no fim do dia e ela ,ainda trabalhando, estava com o sonzinho ligado na radio "AM" enquanto terminava de passar umas roupinhas da familia.
Hoje, morando sozinha e longe de casa, nao consigo me imaginar nessa situaçao! Nao sei se me distanciei do lado "dondoca" ou por fazer tudo eu mesma desde que casei, nao consigo permitir que entre na minha casa uma terceira pessoa para colocar ordem no coreto. Nao pensem que eu nao fazia minha cama, foi um exemplo bobo para entenderem que minha realidade era aquela de por fortuna ter quem fizesse muitas coisas do dia a dia para mim. Mas aprendi a lavar, limpar e manter uma casa em ordem enquanto fiz meu papel de filha na casa dos meus pais.
Senti muita dificuldade em passar roupas quando cheguei aqui e fui aprendendo aos poucos com roupa sem valor e - vou criticar minha mae ,hehe - por "cuidado extremo" da parte da mesma nunca havia tocado num ferro de passar. Cozinhar nunca me interessou, à parte as tardes de pipoca e brigadeiro ou seja, até arroz precisei aprender através de receita, lendo e errando. Mas cheguei là. E tudo isso refletiu hoje no meu novo modo de ver essa situaçao pois nao gosto de pensar em ter empregada do lar.Poderia ter sido o oposto. Nao penso que seja porque no momento sou dona de casa, sabe quantas donas de casa brasileiras eu conheço que tem empregadas semanalmente/diariamente?! Nossa, muitas! E sao acostumadas assim, se sentem tao angustiadas no dia em que a empregada falta pois precisam pensar em como passar um pano no chao ou fazer o feijao para o filho mais velho ir para a escola de estomago cheio! Nao sao crìticas. Sao comparaçoes de como a adaptaçao na vida é tudo. Hoje a minha realidade é outra e me adaptei. E tem quem me diga "mas pense, nao seria òtimo ter alguém que faça tal coisa para voce?" Claro! Mas todos os dias? Nao, obrigada. Prefiro chegar no fim do dia com dor nas costas, cansada mas saber que fiz do meu jeito, talvez porque sou perfeccionista e muito veloz no que faço, nao suportaria deixar para amanha certas coisas.
Existem sim coisas que prefiro chamar alguém para fazer e que hoje me permito de nao fazer, como: lavar janelas e passar roupas. Pensa: uma senhora começou a vir em casa por gentileza da tia de meu marido, toda santa quarta feira para passar roupas. Ela é òtima e nao passa de 1:30 passando as roupas. 'E sensacional! Nao me incomoda, super discreta e quando termina vai embora. Eu entao organizo as roupas para lavar na maquina em modo que até terça feira estejam todas limpas no cesto de roupas para passar e , tcharam, na quarta feira de manha jà està tudo em ordem! E olha, eu gosto de passar roupas, mas ter alguém que me faça esse serviço ajudou muito a descarregar uma tarefa que me impedia, talvez, de estar mais tempo com meus filhos.
Enfim...hoje nao me acostumaria a ter uma pessoa sempre em casa, mas nao excluo a possibilidade de chamar de tanto em tanto alguém para fazer aquele faxinao que dà preguiça sò de pensar quando deixamos por muito tempo a casa de lado, ou, quando precisamos viajar ou receber alguém e a casa precisa estar com aquele ar de limpeza feita por outros, rs! A conclusao para mim desse argumento "casa e ajudante" é a seguinte: estou bem sozinha e feliz, mas nao estou fechada às opçoes em chamar alguém em casa quando me dà na telha, quando sinto que estou precisando, ninguém precisa também ser extremo no tal "8 ou 80", nao é mesmo?!
E voce, como se ve hoje? Qual sua experiencia?O que pensa do assunto?Vamos trocar idéias!